terça-feira, 19 de agosto de 2008

Cientistas propõem «migração assistida» de espécies

Um grupo internacional de cientistas propõe uma "migração assistida" para impedir a extinção de muitas espécies de plantas e animais ameaçadas pelas alterações climáticas. Num estudo publicado a 18 de Julho, pela revista Science, cientistas dos Estados Unidos, Austrália e Reino Unido afirmam que as alterações climáticas e a existência de barreiras criadas pelo homem impedem a migração de muitas espécies que procuram novos locais para viver. Como exemplo, referem algumas aves de zonas montanhosas do sul da Europa que não conseguem emigrar para Norte, em busca de temperaturas mais frias, sem ajuda humana.



Segundo os cientistas, a "migração assistida" poderá ser necessária para colonizar novas regiões geográficas à medida que se tornem insustentáveis os habitats de certas espécies. "Quando expus pela primeira vez esta ideia, há cerca de dez anos, muitos ficaram horrorizados", diz Camille Parmesan, professora de Biologia na Universidade do Texas.



"Agora, perante a realidade do aquecimento global e o aumento das espécies em perigo ou em extinção devido às alterações climáticas, vejo que existe uma nova disponibilidade da comunidade conservacionista para discutir a possibilidade de ajudar as espécies, mudando-as de sítio".



Todavia, antes de se proceder a uma "migração assistida", estes cientistas consideram necessário estudar em profundidade todas as variáveis biológicas. E isso porque a deslocalização de espécies envolve muitos riscos: podem não sobreviver ou tornar-se invasivos ao crescerem desmedidamente sem predadores, em detrimento de espécies nativas dos novos locais.


Segundo Chris Thomas, do Departamento de Biologia da Universidade de York, no Reino Unido, a migração assistida de uma espécie poderá ser perigosa para outras, sendo preciso "analisar cuidadosamente as vantagens e desvantagens de cada caso". E Parmesan dá um exemplo: "Podemos assistir passivamente à migração dos recifes de coral poderá, mas seria inaceitável transplantar ursos polares para a Antártida, onde provavelmente causariam a extinção dos pinguins".



Chris Thomas recorda que já se realizaram transferências de espécies dentro de uma mesma região geral, entre a França e o Reino Unido, por exemplo, sem que isso tenha causado graves problemas biológicos. "Está cada vez mais perto o momento em que teremos de identificar espécies a precisar de protecção… e começar a tomar medidas", adverte o cientista.



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