sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Novo método permite ler nos olhos dos mortos a data do nascimento

Investigadores na Dinamarca desenvolveram um método que permite apurar, através da análise da lente do olho, a data de nascimento de uma pessoa, revela um estudo ontem publicado pela revista científica PLoS ONE.


A descoberta - da autoria de investigadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca - poderá ajudar os cientistas forenses a determinar a data de nascimento de um corpo não identificado e ter outros desenvolvimentos no campo das Ciências da Saúde.


A lente do olho é constituída por proteínas transparentes, chamadas cristalinos, ligadas de forma tão estreita e particular que se comportam como cristais, através dos quais passa a luz, permitindo a visão. Acontece que estas proteínas se formam entre a concepção e a idade de 1-2 anos, e não sofrem alterações fundamentais durante o resto da vida, e foi isso que levou os cientistas a desenvolver o novo método.


O Carbono-14 é um isótopo radioactivo que ocorre naturalmente na natureza, onde se degrada em nitrogénio muito lentamente e de modo inofensivo para os seres humanos, plantas ou animais. Acresce que o carbono é um dos principais elementos orgânicos e entra e sai constantemente da cadeia alimentar, tal como acontece com a ínfima quantidade de C-14 existente na atmosfera.


Enquanto um organismo faz parte da cadeia alimentar, a quantidade de C-14 nas suas células mantém-se constante e a nível idêntico ao do conteúdo de C-14 na atmosfera, explicam os investigadores citados no site europeu de actualidade científica AlphaGalileo.


Porém, quando o organismo morre, a quantidade de C-14 vai baixando lentamente durante milhares de anos, enquanto se transforma em nitrogénio, e esta é a base do chamado método Carbono 14, conhecido como datação por radiocarbono, que os cientistas usam para datar achados biológicos ou arqueológicos de até há 60.000 anos.


C-14 duplicou
A quantidade de C-14 na atmosfera duplicou desde o final da Segunda Guerra Mundial, devido às explosões nucleares realizadas pelas grandes potências, mas desde os anos 60 tem vindo a diminuir lentamente para níveis naturais. Esta curva repentina deixou uma impressão na cadeia alimentar e consequentemente também nos cristalinos dos olhos, que absorveram o conteúdo acrescido de carbono através dos alimentos.


Como os cristalinos não sofrem alterações durante a vida, eles reflectem o conteúdo de C-14 presente na atmosfera no momento em que se formam. Com base nisso, um grande acelerador nuclear da Universidade de Aahrus permite agora determinar a quantidade de C-14 numa amostra tão ínfima como um miligrama de tecido lenticular, e dessa forma calcular o ano de nascimento.


Este método foi desenvolvido pelo professor associado Niels Lynnerup, do Departamento de Ciências Forenses, juntamente como Departamento de Patologia do Olho e o Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Arhrus, na Dinamarca. Segundo Niels Lynnerup, está técnica pode ter várias outras aplicações.


"Como foi assinalado por outros investigadores, pensamos que a datação por carbono de proteínas e outras moléculas do corpo humano pode ser também usada para estudar quando certas espécies de tecido são geradas ou regeneradas" - afirmou.


"Isto pode, por exemplo, ser aplicado a tecido canceroso e a células cancerosas. Calculando a quantidade de C-14 nesses tecidos poderá porventura saber-se quando se formaram os tecidos cancerosos, e isso pode ajudar a compreender melhor o cancro", concluiu.


Texto adaptado deste site

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