terça-feira, 21 de outubro de 2008

Primeiro português com mão biónica


João Pereira, de 32 anos, amputado da mão esquerda, é desde hoje o primeiro português com parte de um membro biónico, ou seja, uma mão eléctrica que lhe permitirá, depois de "muito treino e paciência", realizar movimentos com todos os dedos.
"É uma sensação incrível e um sonho realizado", congratulou-se. João Pereira perdeu parte do membro superior esquerdo e o polegar do direito quando tinha sete anos, num acidente com um foguete, por ocasião das festas de Prozelo, a freguesia do concelho de Arcos de Valdevez de onde é natural.

"Sempre tive limitações e admito que sempre terei, mas tenho a certeza de que a minha vida será diferente porque serei capaz realizar tarefas até hoje impossíveis para mim" disse. Entre essas tarefas, João Pereira destacou a capacidade para utilizar talheres e atar os cordões dos sapatos.

No Centro de Reabilitação Profissional de Gaia, responsável por todo o processo técnico, João Pereira reconheceu que "terá de treinar muito, ter muita paciência e muita calma" até conseguir usufruir plenamente da sua mão biónica. "Desde Julho que tento adaptar-me", contou aos jornalistas, depois de fazer algumas demonstrações, como tentar segurar objectos, partir uma laranja com uma faca e escrever num teclado de computador. O processo envolveu, desde há vários meses, exames para "testar os tendões, tirar as medidas, fazer o gesso, testar o molde e verificar se os encaixes batiam certo" mas, segundo afirmou, o mais difícil foi conseguir ultrapassar "algumas barreiras" relacionadas com a falta de informação.

Escolaridade sem braço

"Foi um processo complicado, mas valeu a pena", frisou João Carlos, que na sequência do acidente, teve de cortar o braço esquerdo quase até ao cotovelo e ficou sem parte do polegar direito. Foi assim que cumpriu toda a escolaridade, até concluir, na Escola Profissional do Alto Lima, o curso de técnico de informação turística, em 1992. Concluído o curso, meteu uma prótese que apenas lhe permitia mexer dois dedos, tendo logo começado a trabalhar, como pasteleiro.

Em declarações aos jornalistas, Emília Mendes, técnica de reabilitação do centro de Gaia, explicou que a mão entregue, distingue-se das próteses mioeléctricas convencionais por permitir "o movimento harmonioso de todos os dedos e a rotação do polegar".Desenvolvida por um grupo de investigadores escoceses, aquela extremidade do braço é composta por cinco motores independentes – um por cada dedo. "Agarra como uma mão normal, com dedos articuláveis que envolvem objectos com segurança", frisou. Segundo Emília Mendes, cada dedo pode suportar até oito quilos e a mão permite dobrar, tocar, apanhar e apontar, aproximando-se dos movimentos da mão humana.

retirado do site

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